Projeto desenvolvido em parceria com IOC é premiado na '21ª Mostra Brasil, Aqui tem SUS'
Realizada em Foz do Iguaçu, iniciativa de análise de dados em tempo real avança na vigilância de arboviroses 

Um sistema para vigilância de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue e chikungunya, desenvolvido pelo município de Foz do Iguaçu em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), foi premiado na ’21ª Mostra Brasil, Aqui Tem SUS’. 

Realizada durante o 39º Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que ocorreu de 12 a 15 de julho, em Porto Alegre, a mostra exibiu 397 iniciativas desenvolvidas em municípios de todas as regiões do país e no Distrito Federal. 

Premiação reconhece relevância, caráter inovador, aplicabilidade e resultados alcançados em iniciativas desenvolvidas no SUS. Foto: Acervo

Apresentado pela Secretaria Municipal de Foz do Iguaçu, o Sistema de Vigilância Ativa de Precisão para Vigilância e Controle de Arboviroses conquistou o prêmio de ‘Melhor Experiência Exitosa do Sul do Brasil’. 

A iniciativa teve início em 2022, em parceria com o Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e o Programa de Pós-graduação em Biologia Parasitária, ambos do IOC.  

O projeto conta com financiamento da Itaipu Binacional, que recentemente aprovou a expansão da proposta para outros municípios do Paraná e do Paraguai. 

Integração de dados em tempo real 

De acordo com os especialistas, o sistema tem como diferencial o uso de dados integrados e analisados em tempo real para direcionar as ações de controle das doenças transmitidas pelo Aedes. 

Entre os dados, são considerados a incidência espaço-temporal das arboviroses, levantamentos sobre presença do mosquito A. aegypti e características ambientais, territoriais e demográficas. 

“A proposta é identificar precocemente alterações que possam indicar aumento do risco de transmissão. O principal diferencial está justamente na integração de diferentes fontes de dados e na capacidade de transformar e qualificar essas informações para a tomada de decisão”, aponta Renata Defante Lopes, coordenadora técnica administrativa da Divisão de Vigilância Ambiental do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Foz do Iguaçu e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biologia Parasitária do IOC.

 

Renata Defante ressaltou importância da integração entre academia, gestão e serviços de saúde para responder aos desafios da saúde pública. Foto: Acervo

“Esse sistema substituiu abordagens arcaicas e ineficientes na vigilância de arboviroses, estabelecendo uso de celulares ou dispositivos móveis para registro de dados, disponibilização rápida de informações relevantes e automação na elaboração de mapas e gráficos que traduzem a situação entomológica e epidemiológica da cidade, identificando as áreas mais vulneráveis”, comenta Rafael Maciel de Freitas, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e orientador de Renata. 

Reconhecimento no SUS e na academia 

A parceria entre o IOC e o município de Foz do Iguaçu começou em 2017. Além da criação do sistema de vigilância ativa de precisão, reconhecido no âmbito do SUS, a união entre pesquisa científica e serviço de vigilância em saúde resultou em uma tese de doutorado premiada e mais de dez artigos científicos.  

Em 2025, André de Souza Leandro, médico veterinário do CCZ de Foz do Iguaçu, recebeu o Prêmio IOC de Teses Alexandre Peixoto pela tese defendida na Pós-graduação em Biologia Parasitária, sob orientação de Rafael Maciel de Freitas e Daniel Antunes Maciel Villela, pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz (PROCC/Fiocruz). 

A pesquisa avaliou ferramentas para vigilância do Aedes e apontou estratégias para criação de um sistema de alerta precoce, estabelecendo as bases para o Sistema de Vigilância Ativa de Precisão, implantado em Foz do Iguaçu. 

O trabalho tem continuidade na pesquisa de doutorado de Renata Defante, atualmente em andamento, que também é orientada por Rafael Freitas. 

“O reconhecimento na ’21ª Mostra Brasil, Aqui Tem SUS’ reforça a importância da aproximação entre academia, gestão e serviços de saúde, mostrando que o SUS pode ser um espaço de produção de conhecimento, inovação e desenvolvimento de estratégias capazes de responder aos desafios locais”, salienta Renata. 

“A partir da pesquisa científica, realizada em cooperação com os profissionais que atuam no dia-a-dia da vigilância e com o importante apoio de Itaipu Binancional, conseguimos desenvolver um sistema com impactos concretos no território”, comemora Rafael. 

Fonte: Fiocruz

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